
E o que é mesmo o tal "processo terapeutico", hein?
Estou completando no fim do mês um ano de terapia, junto com um ano e dois meses de curso de psicologia..E eu já escutei esse termo tantas vezes..ao mesmo tempo em que passeio dentro dele.
Em maio do ano passado passei por uma experiência interessante em Aguas Belas. Fiquei presa num labirinto de ostras e plantas que cortavam. Na hora simbolizei o que me cortava os pés e mãos: ao sentir os cortes eu não via ostra nem planta, eu via as coisas que me cortavam por dentro.
Um amigo querido me resgatou desse labirinto aquático, mas ainda estou perdida nesse labirinto simbólico (e real).
A diferença é que no primeiro, ao pisar em algo que me feria eu desviava. No segundo eu fico andando em círculos e me cortando onde já me feri tantas vezes.
Daí eu fico procurando de onde vem essas "ostras" e essas "plantas" e porque elas me machucam tanto.
Durante esse ano que passou várias vezes pensei e/ou disse que tinha descoberto a origem. Passado algum tempo, descobria que vinha de outro lugar. Até que percebi que talvez seja um lance meio "o ovo e a galinha" e que tá tudo "emaranhado", se relacionando. Pro "bem" ou pro "mal", tá tudo ligado.
Hoje, ao sair de mais uma sessão, falando com meu Ás de Áries, eu falei que parecia cavar na areia, esse tal processo terapeutico. Você cava e acha uma pedrinha, depois outra e mais outra...depois passa um tempão cavando só areia e mais nada, acha que já não tem nada mais embaixo pra achar, aí você taca o dedo numa pedrona! Que na verdade é só mais um pedaço. E você fica cansado..Vai cavando mais devagar, forçando pra lembrar sempre de tudo que você já achou naquele buraco..e tudo o que você já fez com aquilo que achou.
E aí eu fico na faculdade escutando sobre esse tal processo terapeutico...Se fala em empatia, tendências, simbolizações, projeções, bla bla bla.
Quando se fala em processo me lembro logo dos da "justiça", dos advogados.
Do lado de cá a coisa complica. Os fatos não são tão palpáveis, pois o que mais importa neles é a emoção que explode ou implode dali, o que gera na hora e depois, subjetivamente.
Não tem juiz, não tem culpado, não tem vítima.
Se é responsável por si mesmo e não adianta botar a culpa naquele que te ofendeu.
A vida é sua e o que você faz com o que os outros lhe fazem ou dizem é problema ou solução sua.
O processo é longo, as vezes intenso, as vezes monótono. Certezas se diluem, formam outras...que se transformam em dúvidas, enigmas, em certezas, em decepções, dores, alegria, orgulho, vergonha, medo, nojo......
Silêncio e grito.
E eu continuo me perguntando o que diabo é mente e o que ela mente.
Onde está o self e o quê que essa merda toda quer dizer.
Se a psicoterapia tem por função te colocar de volta no trilho ou te libertar pra seguir em novos caminhos, sem ordem e amarras.
E quem é que vive sem amarras hoje?
E o que diabo se fala tanto na psicologia do desenvolvimento que o adolescente se rebela pra construir sua identidade? E alguém tem identidade sem ser RG?
E pra ser adulto é preciso parar de discordar?
Que precisa-se separar da relação de co- dependencia que se tem com as pessoas...que assim pode-se tornar sujeito e ter autonomia...sujeito a quê?
Autonomia de quê?
"Que não é o que não pode ser o que não é. O que não pode ser que não, é o que não!Pode ser que não...Que não é o quê. O que?O que? O que??"