domingo, 17 de julho de 2011

"Do ventre nasce um novo coração"


É a vida se manifestando com toda a sua força dentro da gente.
Ei.. e ela nunca foi fácil, hein?
Sim, é mágico pensar e sentir que tem alguém dentro de você e que foi fruto de um grande amor. Mas...Será que eu sou muito pessimista ou todas as outras grávidas são hipócritas?
Por que ninguém nunca me contou que gravidez é estar de TPM todos os dias?
Que é ter azia o dia inteiro?
Que pensamentos neuróticos ficam zanzando na sua cabeça?
...
É também sair na rua e só ver crianças e grávidas.
É pensar: "será que diabetes gestacional faz mal ao bebÊ ou só a mim? Se for só a mim, mó limpeza!Quero nem saber, vo me acabar de comer aqui...opa!peraí!eu num posso morrer mais não!"
Comprar sapatinhos vermelhos e chorar ao imaginar pequenos pés da sua cria dentro deles.
...
Acordar amando o mundo inteiro e dormir com ódio de tudo e de todos.
Ter medo, muito medo.
Sonhar acordada, ter pesadelos dormindo.
Se sentir a pessoa mais especial do mundo...e a mais idiota.
É sentir tanto abuso de tudo a ponto de ter vontade de sair de perto de si mesma.
Pensar na ironia de só se sentir adulta quando uma criança chega.
Pensar em nomes e mais nomes...Odiar as pessoas enchendo o saco pra serem madrinhas como se isso fosse uma disputa.
É olhar para um cigarro e desejá-lo mais que quase tudo...quase...com exceção da saúde do futuro neném.
É se sentir linda...e horrorosa.
É lembrar com saudade de pessoas que já não mais fazem parte da sua vida e pensar em como você queria que elas estivessem vivendo esse momento com você.
... Saber que tudo vai mudar antes mesmo de você ter conseguido entender o que era antes ...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite."

Leminski

terça-feira, 15 de março de 2011


E o que é mesmo o tal "processo terapeutico", hein?
Estou completando no fim do mês um ano de terapia, junto com um ano e dois meses de curso de psicologia..E eu já escutei esse termo tantas vezes..ao mesmo tempo em que passeio dentro dele.
Em maio do ano passado passei por uma experiência interessante em Aguas Belas. Fiquei presa num labirinto de ostras e plantas que cortavam. Na hora simbolizei o que me cortava os pés e mãos: ao sentir os cortes eu não via ostra nem planta, eu via as coisas que me cortavam por dentro.
Um amigo querido me resgatou desse labirinto aquático, mas ainda estou perdida nesse labirinto simbólico (e real).
A diferença é que no primeiro, ao pisar em algo que me feria eu desviava. No segundo eu fico andando em círculos e me cortando onde já me feri tantas vezes.
Daí eu fico procurando de onde vem essas "ostras" e essas "plantas" e porque elas me machucam tanto.
Durante esse ano que passou várias vezes pensei e/ou disse que tinha descoberto a origem. Passado algum tempo, descobria que vinha de outro lugar. Até que percebi que talvez seja um lance meio "o ovo e a galinha" e que tá tudo "emaranhado", se relacionando. Pro "bem" ou pro "mal", tá tudo ligado.
Hoje, ao sair de mais uma sessão, falando com meu Ás de Áries, eu falei que parecia cavar na areia, esse tal processo terapeutico. Você cava e acha uma pedrinha, depois outra e mais outra...depois passa um tempão cavando só areia e mais nada, acha que já não tem nada mais embaixo pra achar, aí você taca o dedo numa pedrona! Que na verdade é só mais um pedaço. E você fica cansado..Vai cavando mais devagar, forçando pra lembrar sempre de tudo que você já achou naquele buraco..e tudo o que você já fez com aquilo que achou.
E aí eu fico na faculdade escutando sobre esse tal processo terapeutico...Se fala em empatia, tendências, simbolizações, projeções, bla bla bla.
Quando se fala em processo me lembro logo dos da "justiça", dos advogados.
Do lado de cá a coisa complica. Os fatos não são tão palpáveis, pois o que mais importa neles é a emoção que explode ou implode dali, o que gera na hora e depois, subjetivamente.
Não tem juiz, não tem culpado, não tem vítima.
Se é responsável por si mesmo e não adianta botar a culpa naquele que te ofendeu.
A vida é sua e o que você faz com o que os outros lhe fazem ou dizem é problema ou solução sua.
O processo é longo, as vezes intenso, as vezes monótono. Certezas se diluem, formam outras...que se transformam em dúvidas, enigmas, em certezas, em decepções, dores, alegria, orgulho, vergonha, medo, nojo......
Silêncio e grito.
E eu continuo me perguntando o que diabo é mente e o que ela mente.
Onde está o self e o quê que essa merda toda quer dizer.
Se a psicoterapia tem por função te colocar de volta no trilho ou te libertar pra seguir em novos caminhos, sem ordem e amarras.
E quem é que vive sem amarras hoje?
E o que diabo se fala tanto na psicologia do desenvolvimento que o adolescente se rebela pra construir sua identidade? E alguém tem identidade sem ser RG?
E pra ser adulto é preciso parar de discordar?
Que precisa-se separar da relação de co- dependencia que se tem com as pessoas...que assim pode-se tornar sujeito e ter autonomia...sujeito a quê?
Autonomia de quê?

"Que não é o que não pode ser o que não é. O que não pode ser que não, é o que não!Pode ser que não...Que não é o quê. O que?O que? O que??"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Fiz minha casa no teu cangote"

Ele não acredita nas forças do universo, nas energias da natureza.
Diz que tudo está no corpo e dele tive muito abuso antes de conhecer de verdade (se é que um dia conhecerei).
Vestígios de muita rebeldia. Um discurso ácido aos demais. Pra mim..um olhar e voz bem doces.
Foi um encontro entre dois bicudos - quem disse que eles não se beijam?
Uma noite confusa que findou num dia lindo. O sol bloqueado por grossas cortinas,
uma sintonia repentina, uma exploração dos corpos e de sei lá mais o que (já que não gosto de falar em almas).
De repente o que eu pensei que não existia começa a acontecer e eu penso: "uia! não era invenção da rede globo!"
É muita sintonia. Paixão. Coincidência. Amizade. Tesão.
Eu detesto jogo e ele não quer saber de nada que não tenha lógica.
Eu sou pura falta de lógica.
É muito fogo e eu, muito ar. Então eu sopro...
Sem querer eu o acalmo e quando quero, também consigo as vezes.
Não há companhia melhor pra tomar cerveja.
Pra falar besteira.
Receber aula de capoeira com os dedos.
Pra ter papo cabeça.
Pra aprender como se pronuncia o nome do Kierkegaard.
Ele ama trovões e eu, o sol.
Eu gosto do sotaque que não se sabe de onde vem.
E desse cangote faço minha casa.
Sem medo.

domingo, 19 de dezembro de 2010


"O pensamento pedunculado buscava o teto das coisas. Era um sexo erétil e complemetos. Movimentos escorriam como precisamente calculados, nem eram, era sintonia riscada entre um olhar e outro.
Cada enzima parecia morar no outro corpo, desabotoando perfumes no intuito de atrair. Daí o radar daquele pensar batizado de paixão. Conexão entre toques e quimioreceptores que dilatam as retinas, contraem os músculos e irrigam os tecidos com tantos fluidos que, na enorme euforia, as células se dividem. Meiose radicada no gosto dos lábios de quem beija a flor.
Abdução de vontades, bate na porta da imaginação e tenta conseguir uma chamada virtual no campo minado das sentimentalidades. E nada é precipicio quando o que se quer é peito acelerado e complemento.
O cérebro desce pro lugar do coração, que por sua vez, cai dentro do estomâgo com duzentas borboletas flutuantes, dançando nem aí pro suco gástrico da vida.
Uma ligação e está tudo confirmado, vai começar uma nova estória na vida dela. E quando eu vi aquele brilho nos olhos, me senti personagem de seriado mexicano, suspeitando desde o principio.
Que seja encaixe."

by Guana Dias

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"as amendôas pavimentam os azulejos tardios que, apenas depois, ao sair do ofurô, ele iria percorrer/ a leveza daquela roupa inexiste, que flutua como lençol macio, e os abraços dela que, tão simples, acobertam minha... saudade/ a isso tudo, saúdo com ´boa-noite´, digo, amorosamente - e já não consigo ter fé em mim/ envolto no cheiro dessa mulher, que vai se tornando louça nos meus varais/ aqui, encontro certa paz de um sonho que não cabe em noites de sexo tórrido/ só preciso desse espectro que, certamente, não é o dela./ -- ´porcelana nos braços dele, e não há paixão e beleza nos olhos de... mais ninguém´, repito, respiro, insegura de mim mesma/ Repito, convencida, enquanto durmo, embriagada/ Não é por ele/ Fini. Com ele."

(Poema Maracaba, André Feitosa, 8.Dez/10)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Entre o silêncio e o grito as vezes muito mexe e se remexe.
Noutras nem dá tempo.
É muito louco ver coisas tão grandes se tornando bem miudinhas, assim como o que nem se enxergava antes tomar dimensões absurdas.
Entre o silêncio e o grito tem tanto suspiro, gemido, sussurro.
Tem tanta interrogação, exclamação, reticências.
Euforia, melancolia, vertigem, alegria.
Estados alterados da mente, já diriam os Titãs.
Entre o silêncio e o grito sinto uma tranquilidade duvidosa, uma raiva fumada até o último trago, uma inquietação bebida em longos goles.
Os livros mudam de lugar na prateleira tão rápido quanto minhas dúvidas são feitas, desfeitas e refeitas.
Entre o silêncio e o grito eu dou muita risada com meus amigos, muitas lágrimas pro sofá da sala da minha terapeuta, muito dinheiro pra Nestlé, muita tinta pro caderno e muitas letras pro computador.
Tem muita música, tem muito sonho.
Muito choque com a realidade e muita fantasia.
Entre o silêncio e o grito o tempo ora se arrasta ora corre demais.
De toda maneira eu me atraso.
O movimento do corpo não condiz com a hiperatividade mental.
As vezes penso torto e nem todo torto é errado.
"Se meu pai fosse mulher" eu sei que "eu teria duas mães", mas não consigo viver sem um "se".
Sem um si
[mesmo]


RÁ..!..!...!...!


(psiu)