terça-feira, 26 de outubro de 2010

eta.

Hoje, finalzinho de outubro, no finalzinho de 2010 eu tava dirigindo e ouvindo música..Fiquei prestanto atenção no Lulu Santos cantando "Tempos modernos". Já agora..em outros tempos depois desses, que ninguém consegue definir bem ainda.
Ele dizia: "Eu vejo um novo começo de era de gente fina, elegante e sincera. Com habilidade pra dizer mais sim do que não (não não..)."
Mas Lulu, meu broder, nós temos uma habilidade incrível de dizer é qualquer coisa, sem nem saber do que estamos falando e nem porque. Do mesmo jeito (des) dizemos com muita segurança, sem sabermos porque. Você não falou que hoje o tempo voa e escorre pelas mãos? Pode crer...Não é só o tempo não. São todas as nossas (in) certezas, (falta de) opiniões, (des) valor [es; izações].
Ando falando em subversão esses dias, enquanto todos falam sobre política (volto a dizer, fico impressionada com a quantidade de pseudo intelectuais políticos essa época do ano, e acho interessantissimo que a competição seja acompanhada pelos espectadores como um esporte, pouco depois da copa)...
A maneira como nos apropriamos das idéias alheias sem as termos entendido bem é hábito. Entendermos bem mas distorce-las também, mas isso é pra poucos, o resto é enrolado por esses com o maior prazer e depois reproduzem por aí o que ouviram e não entenderam.
Eu leio Kierkegaard e humanamente me desespero.
Vejo o jornal e humanamente me alieno.
Assisto a novela e humanamente me anteno.
Assisto o tropa de elite 2 e humanamente me revolto.
Escuto o garçom abrindo a cerveja e humanamente me alivio.
Acordo atrasada e humanamente sinto culpa.
Penso na vida e humanamente quero deixar de ser humana.
Leio Antonio Risério que diz que o ser humano é o engano do humano. A Clarice me diz que viver não é vivível..
E eu me encho e me esvazio de informações. Na leitura, na escuta, na vista, fina ou grossa. Com todos os sentidos em todos eles. Sinto.
[Muito]
Corro de um lado pro outro pra me agarrar em certezas que rapidamente se derretem e o jeito é me agarrar na mais próxima ou ir flutuando por mais tempo até um oposto que me atraia. E eu me distraio.
Sorrio, gargalho, agrado.
Eu sou pós-humana.
Eu me escondo, me desagrado, encolho, encalho.
Eu sou pós humana.
Eu não paro.
Eu penso bem e mal penso.
Eu me dispenso.
E me despeço.
Despedaço
Dispersa
Imersa
Cheia
Oca
Um caco
Opaca
Sem alça
Fora da alçada
Na calçada
Só
Acompanhada
Num punhado.

2 comentários:

  1. uau!
    "Penso na vida e humanamente quero deixar de ser humana."
    compartilho demais!

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  2. tb compartilho....

    me vejo escrevendo esse texto...claro que ao inves de Kierkegaard eu bebo Heineken mas da tudo no mesmo hehehe!!
    rpz...tua escrita ta ficando hype demais pro meu gosto god bless google pq se nao fia.........
    SUA LETRADA!

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